Do final de fevereiro e até 8 de abril último, o Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), da Fundação Nacional de Saúde, foi notificada pelas Secretarias Estaduais de Saúde de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul sobre a ocorrência de surtos de conjuntivite aguda, totalizando 184.840 casos.
Acredita-se que estes números devem aumentar nos próximos dias, já que foram registrados mais casos de conjuntivite em Brasília, Espírito Santo e no Estado do Rio de Janeiro.
Normalmente, a conjuntivite acontece mais frequentemente no verão, época em que as pessoas confraternizam, reunindo-se em festas e grandes aglomerações, como o carnaval. Apenas os hábitos de higiene, principalmente a lavagem constante das mãos, são medidas eficazes de prevenção da conjuntivite.
Segundo as informações do Cenepi, o quadro clínico varia de leve a moderado, e se caracteriza por afecção ocular uni ou bilateral, hiperemia, lacrimejamento e sensação de corpo estranho. Hemorragia conjuntival, dor ocular e edema palbrebal têm se apresentado nos casos mais severos.
O Centro Nacional de Epidemiologia informa ainda, que foi identificado como agente etiológico em algumas amostras de pacientes o enterovírus 70 (Cocksackie A 24), o qual tem sido associado, em alguns casos, à conjuntivite hemorrágica.
A conjuntivite causada pelo enterovírus 70 tem alta transmissibilidade e se dá por meio do contato direto com secreções oculares de uma pessoa infectada. E, de maneira indireta, por meio de superfícies, instrumentos ou soluções contaminadas. É frequente a transmissão hospitalar, em escolas e creches, bem como a disseminação secundária, no núcleo familiar.
As conjuntivites virais agudas são quase sempre autolimitadas, durando em torno de 7 a 14 dias. Embora se trate de doença geralmente benigna, a rápida disseminação, com o comprometimento de um grande número de pessoas, além da falta de diagnóstico etiológico específico exige atenção especial dos serviços de saúde, alerta o Centro Nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde.
Para a população, entre as medidas preconizadas pelo Cenepi para uma adequada assistência aos casos, visando controlar o surto, prevenir a sua disseminação e identificar o agente etiológico, estão:
- Procurar assistência médica oftalmológica na ocorrência de sinais e sintomas de conjuntivite, evitando a automedicação.
- Observar os cuidados de higiene pessoal, principalmente quanto à lavagem frequente das mãos e uso e descarte de lenços descartáveis.
- Não compartilhar toalhas, maquilagem para olhos, soluções oftálmicas e outros medicamentos de uso ocular.
- Trocar diariamente as fronhas
- Evitar frequentar locais aglomerados quando da ocorrência de sinais e sintomas de conjuntivite, inclusive creches, escolas e local de trabalho





